Em uma época não tão distante, praticamente todas as marcas de skate tinham times de skatistas.
As equipes costumavam fazer turnês, apresentações, socializar com fãs, distribuir autógrafos e fomentar a cultura do skateboard.
Uma das minhas memórias afetivas mais inesquecíveis dos anos 80 é assistindo o time da Aerial fazendo uma demonstração em algum evento que eu fui. Era muito mágico ver o Fábio Chupeta, Marcelo Barnero, Paulinho Barata e o Robson Reco andando. Essas apresentações da Aerial eram registradas pelo dono da marca e depois exibidas na loja dele, a Hammerhead (que depois virou a rede Central Surf), numa galeria da Barão de Itapetininga.
Quando eu trabalhava como office-boy, passava lá várias vezes ao dia, TODOS OS DIAS, para assistir o half flip do Reco, que vi ao vivo, mas não cansava de ver de novo pra acreditar que era verdade.
Assistir ao vivo uma apresentação de skatistas profissionais é uma experiência pra vida, que está se tornando cada vez mais rara. E é uma experiência totalmente diferente de ver uma competição, onde os caras estão lá focados num objetivo, e por mais que eles dão atenção aos fãs, é uma relação mais distante, fria.
Hoje, são poucas marcas com time. E dessas raras equipes, é difícil ver elas funcionando como uma engrenagem de fomentação da cultura do skateboard, são só ferramentas de marketing.
Mais de três décadas depois, a Urgh, Lifestyle, Sims, Rude Boy, Narina, H Prol, Plancton, Drop Dead e Aerial estão no DNA de muita gente que vivenciou o skateboard através de uma demo. E quem testemunhou esses eventos tem orgulho de contar cada detalhe que lembra.

Atualmente, um dos times de skatistas mais ativos do Brasil é o da ong Social Skate. A equipe tem até nome: SOCIALIZANDO.
Na semana passada fui como convidado acompanhando eles numa viagem para o Rio de Janeiro, onde iriam participar da inauguração da pista do Instituto Ademafia, no Morro Santo Amaro.
Com seu trabalho na Social Skate o Sandro Testinha tem a oportunidade de poder realizar mais esse sonho dele – como sempre, acreditando no que é o certo; que é poder ter seu próprio time de skatistas.
A alegria e orgulho do Sandro falando do Socializando é sempre contagiante. E ser um dos convidados para estar nessa van é privilégio para poucos, pois estou falando de poder viajar com os meus ídolos Paulinho Barata, Cristiano Nego Bala, Denis Silva, o próprio Testinha e o Fábio Cristiano. Outros integrantes do Socializando, o Gian Naccarato, Emanoel Enxaqueca, Mailton dos Santos e a Ingrid Franco não puderam estar nessa turnê.

Eu fico imaginando daqui alguns anos, essas crianças, a Tropinha da Ademafia, relembrando do dia que viram os skatistas do Socializando na sua comunidade. Não só os alunos, mas talvez essa apresentação tenha despertado interesse em novos skatistas. E também contagiado alguém que estava lá passando pelo evento e se encantou.
E essa é a magia de uma apresentação de um time de skate, a sinergia de skatistas com um ideal em comum e o poder de fisgar novos simpatizantes.

O motivo principal da viagem era a inauguração da pista do Santo Amaro. Mas claro que sessões de skate no centro da cidade estavam incluídas na programação.
Tanto no sábado de manhã, antes da apresentação da sessão inaugural, quanto no domingo, rolaram sessões na Praça XV e na Zona Portuária, que são os picos que sempre rendem divertidos momentos.
A Praça XV com seus mobiliários skatáveis e a Zona Portuária com seus extensos e largos corredores, recheados de obstáculos e cercados de cartões-postais, proporcionam um jeito interativo de fazer turismo e o ambiente perfeito para um time de skatistas como o Socializando aumentar seu entrosamento e vocabulário de piadas internas.
Nenhum time de skate deve ser igual ao outro, cada um tem uma característica. O Socializando é um time relativamente novo, mas já é uma grande referência. O Sandro deve ser assediado direto, com skatistas veteranos e novatos querendo fazer parte. E por não ser com objetivo de ganhar dinheiro, então essa essência de fazer parte de um time genuíno é uma grande motivação que eu quero muito que seja mantida viva na cultura do skateboard.
Pra finalizar a turnê, um momento bem especial, que tive a oportunidade de registrar. Já se passava das 7 da noite do domingo, todo mundo cansado, o Breno Soares começou a tentar uma linha. As pernas já não tinham tanta força, a chuva ameaçou a cair com algumas gotas marcando o chão, ele pensou em desistir, o time o incentivou e ele acertou a linha. Provavelmente ele não acertaria nesse dia sem a força da equipe, liderada pelo seu orgulhoso pai, Sandro.
Mande sugestões, dúvidas, etc, para contato@skataholic.com.br

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